A Juliana chegou na clínica com uma expressão de quem estava prestes a cancelar todo o planejamento do ano. “Vou para o Nordeste daqui a dez dias e acho que vamos ter que parar com o laser, né? Não quero ficar com a perna cheia de manchas”, desabafou ela, sentada na beira da maca. Essa é a dúvida que mais escuto entre dezembro e março, e a resposta curta é: não, você não precisa interromper seu protocolo de depilação. Mas a resposta longa exige que a gente entenda como a tecnologia evoluiu para não sermos reféns do calendário. O medo da Juliana faz sentido histórico. Antigamente, os lasers eram “seletivos” demais e não sabiam diferenciar muito bem o que era o pigmento do pelo e o que era a pele bronzeada. O resultado? Queimaduras e hiperpigmentação. Hoje, o cenário mudou. O segredo está no comprimento de onda Para manter o tratamento no verão sem riscos, o pulo do gato é o ajuste técnico. Equipamentos como o Laser de Diodo ou o ND:Yag trabalham com comprimentos de onda que conseguem atingir a raiz do pelo de forma mais profunda e segura, mesmo em peles que pegaram sol recentemente. No caso da Juliana, o que fizemos foi um ajuste na fluência da energia. Não precisamos “fritar” a superfície; precisamos de eficácia térmica lá embaixo, no bulbo. Além disso, o verão não é apenas sobre depilação. Muitas pacientes aproveitam essa época para associar o laser com o Ultraformer, por exemplo. Como o Ultraformer atua com ultrassom microfocado nas camadas profundas e no SMAS (o músculo), ele não interage com a melanina da superfície. Ou seja: você pode tratar a flacidez e o contorno corporal enquanto mantém as sessões de depilação, sem medo de manchas. A regra de ouro dos 7 dias Se você tem uma viagem marcada, o planejamento é seu melhor amigo. Eu sempre oriento um intervalo de segurança que chamo de “janela de respiro”: Pré-sessão: Evite exposição solar intensa (aquela de ficar estirada na areia) pelo menos 7 dias antes da sessão. Se a pele estiver vermelha ou ardendo, não fazemos o laser. Pós-sessão: A pele fica sensibilizada por cerca de 24 a 48 horas. Nesse período, nada de sol direto. Depois disso, o protetor solar com cor ou de alto FPS é inegociável. Hidratação de barreira: O laser remove a camada protetora superficial temporariamente. Usar cremes com pantenol ou água térmica ajuda a pele a se recuperar rápido para receber o sol da praia depois. Botox e Preenchimento: Aliados do Rejuvenescimento Solar Outro ponto que discuti com a Juliana foi a manutenção do rosto.
O verão é a época em que mais “esprememos” os olhos por causa da claridade, o que acelera as rugas dinâmicas. O Botox nessa fase funciona como um preventivo brilhante para evitar que as marcas de expressão se aprofundem. Já o preenchimento facial ajuda a manter o viço que o calor e a desidratação costumam roubar. Manter esses cuidados de forma integrada permite que você chegue em março com a pele pronta, em vez de passar o outono inteiro tentando recuperar o estrago das férias. O cuidado com o corpo não tira férias; ele apenas se adapta à luz do sol. A Juliana seguiu as orientações, viajou, aproveitou o mar e voltou para a sessão seguinte com a pele íntegra e muito menos pelos. O segredo nunca foi proibir o sol, mas sim respeitar a fisiologia da pele e usar a tecnologia a nosso favor. Se você usa o equipamento certo e segue o tempo de recuperação, o verão deixa de ser um vilão e passa a ser apenas o cenário de uma pele bem cuidada.