A trajetória de um sucesso

O Opala nasce em 1968, mais especificamente no mês de novembro desse ano, sendo o primeiro carro de passeio brasileiro da General Motors. Era um Opel Rekord no que dizia respeito à carroceria, mas a mecânica tinha raízes nos Estados Unidos. Isso gerou uma curiosa situação, que só se resolveria em 1980: a carroceria empregava ferramentas em milímetros e a motorização em polegadas… 

O Opala era disponível apenas com 4 portas, nas versões básica e luxo, com motor de 4 cilindros em linha (2.5 litros) ou 6 cilindros (3.8 litros) de cilindrada. Na Europa existiam o station wagon e o cupê, estes não foram feitos aqui num primeiro momento; o de 2 portas viria logo no ano seguinte, 1971 (juntamente com uma nova grade dianteira), mas essa não foi a única novidade pois foi lançado também o SS. Com motor de 4.1 litros de cilindrada e 6 cilindros, esse propulsor marcou época no Brasil, sendo admirado até hoje. Na verdade, é no Brasil que mais se tira potência desse motor no mundo. Em novembro de 1971, o motor 3.8 sai de linha e permanece apenas o 4.1. Outra curiosidade: apenas em 1971 é que sai o Opala SS de 
4 portas.

 


 

Para 1972, a grade muda novamente e o SS passa a ter 2 portas. Para 1973, o Opala passa a ter as lanternas de posição e os piscas nos cantos da grade e as luzes de ré passam para a parte superior do painel traseiro. O motor, que antes era o 4 cilindros de 153 polegadas cúbicas, passa a ser o 151 e chega o câmbio automático, que - não se sabe por que - foi apresentado em 1974 outra vez, como novidade.

Em 1975, o Opala passa pelas mais profundas mudanças desde seu lançamento. A frente ganha nova grade, capô, pára-lamas e painel frontal, tudo inspirado - de uma certa forma - no Chevy Nova americano. Na traseira, os carros tinham quatro lanternas redondas, sendo que as mais próximas do bocal do tanque incorporara as luzes de ré. Chega a Caravan, apenas com 2 portas mas com mesma motorização do Opala de 2 e 4 portas. Como top de linha surge o Comodoro, bem mais luxuoso e sempre com motor de 6 cilindros.



 

Em 1976, a linha permanece praticamente a mesma e, em 1977, a GM lança o Opala Gama, que não apresenta identificação externa e vem com motor de 4 cilindros e câmbio de 4 marchas, sendo a quarta uma espécie de overdrive. Para os mais detalhistas, a única diferença entre ele e um Opala normal de linha era que a monopla do câmbio vinha com o número "4" com uma circunferência em volta. Outra curiosidade: o Comodoro passa por um processo de "empobrecimento", sendo que vários equipamentos que antes eram de série, passaram a ser opcionais: motor de 6 cilindros e bancos individuais com encosto alto, além do câmbio manual de 4 velocidades, são bons exemplos. Para tê-los no modelo mais luxuoso da GM, era preciso pagar a mais. 

Ainda para 1976, a Chevrolet apresenta o motor 250-S de 6 cilindros em linha. Na verdade era uma versão mais "apimentada" do motor que já existia, com carburador duplo, comando mais bravo (com maior duração do cruzamento de válvulas) e tuchos mecânicos. Esse motor estaria disponível para todas as versões de Opala, inclusive os básicos.

 

 

Para 1978, os modelos têm nova grade e é lançada também a Caravan Comodoro. No ano seguinte, a linha permanece praticamente a mesma. A engenharia da GM aprontou o Diplomata para ser lançado nesse ano, mas como a frente e a traseira estavam para mudar, operação que ocorreria nos modelos 80, o carro sofreu um pequeno atraso. E no ano seguinte, o Opala

passa pela segunda operação plástica mais profunda de sua história. Além do que já foi mencionado, pela primeira vez contou com rodas de liga opcionais para os Comodoro e Luxo e de série para o Diplomata. Este trazia ainda praticamente todos os acessórios incluídos no preço e sobravam poucas opções, tais como câmbio automático e pintura metálica. Os SS deixam 
de ser fabricados no final de 1980. 

Em 1981, os carros recebem novo painel de instrumentos; em 82, novos frisos externos e pára-choques pretos no Diplomata; em 1983, novas maçanetas internas; em 1984, novo sistema de travas das portas. Ou seja, nada de muito impressionante ao longo desses anos. Mas em 1985, a GM realiza mais uma daquelas mudanças drásticas no Opala. Novos pára-choques, grade, lanternas traseiras, frisos, padrões internos, painel de instrumentos, calotas, rodas de liga enfim, muitos itens são alterados ou acrescentados. Pela primeira vez, o Opala conta com vidros, espelhos e travas com acionamento elétrico e motor de 6 cilindros a álcool. 

Seguindo a tradição da marca nesse aspecto, nos anos seguintes às grandes mudanças nada acontece e em 1986, a única novidade de "peso" é a Caravan Diplomata. Em 1987 os carros mais uma vez são praticamente os mesmos. Em 1988, o quarto trabalho de face-lift é realizado, o que dá para vislumbrar muito bem o ciclo desse produto. Novos faróis, grade, capô dianteiro, pára-lamas dianteiros, lanternas traseiras, interior foram adotados, entre muitos outros itens. Surge o câmbio de 4 marchas automático. E o Opala de 2 portas vive seu último ano de existência, assim como o motor 250-S. 

Para os anos de 1989 e 1990, novamente (adivinha?), sem muitas modificações. Em 1991, já com as vendas bem tímidas em relação aos velhos tempos, o Opala passa pela última cirurgia plástica, ganha novos pára-choques envolventes, padrões internos, cores, naquele processo que a GM realizava de tempos em tempos. O Diplomata passa a ter rodas de aro 15 e freios a disco na traseira. Os quebra-ventos deixaram de existir, mas na Caravan continuaram. E em 1992, com cerca de um milhão de unidades vendidas, ele deixa de ser produzido. 

Por Alexandre Ramos

 
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