Na era dos carrões, Danilo cultiva paixão de infância por relíquias
 
Meia do Corinthians deixa de lado as modernas máquinas importadas e roda por São Paulo com modelos Opala 1978 e Ômega 1998
 
 
Basta gastar alguns minutos em frente a qualquer grande clube brasileiro para assistir a um desfile de carros que não passarão de um sonho para a maioria da população. Quase sempre importados e nos mais variados modelos, cores e tamanhos, eles transformam os estacionamentos das equipes em uma grande concentração de fortunas. No Corinthians, não é diferente, mas há uma exceção. Em meio a tantas máquinas surge o Opala Comodoro, 1978, do meia Danilo.
Dono de um futebol refinado e mais cadenciado, o armador conserva o mesmo gosto clássico pelos carros que dirige. Apaixonado pelos veículos mais antigos, decidiu há dois anos realizar os desejos de quando era criança em São Gotardo-MG e depois em Goiânia.
 

 

 

 

 

 Isso vem desde a infância. Um tio tinha um Opala e eu sempre gostei. É um sonho de criança. Tinha aquela ilusão de um dia, se tivesse condição, poder comprar um também. Felizmente, consegui – contou Danilo, 
dono também de um Ômega 1998.
Apesar dos 34 anos de estrada, o Comodoro do maestro corintiano está impecável. Por fora, conserva a pintura na cor prata sem nenhum risco, além de rodas de liga leve estilizadas. Por dentro, o estofamento marrom e todo o painel são originais, com o motor na versão 4.100 e um ronco de impressionar. O jogador só precisou turbinar o som para poder ouvir o sertanejo que tanto aprecia.
 
– Eu dei sorte porque era uma relíquia, estava todo arrumadinho. Só precisei colocar som. Ele gasta bastante (combustível) porque são seis cilindros, com o motor preparado, mas não ando sempre. É caro ter um carro assim. Você não enconpara as brincadeiras dos amigos.
 
– O pessoal sempre pega no pé. Falam que eu sou velho mesmo, gosto de carro antigo (risos). Mas cada um tem o seu gosto. É muito bom dirigir esses carros.
O meia, aliás, prepara uma nova geração de apaixonados pelas relíquias. Os filhos Matheus, Lucas e Davi exigem que o pai aproveite o tempo livre para passear com eles no carrão.
 
– Eu tenho um outro carro, mas eu gosto mesmo desses dois. Saio sempre para passear com eles. O Davi, que tem só dois anos, fica louco para andar no Opala.
Aos 32 anos e podendo ser bicampeão da Taça Libertadores (já ganhou o torneio pelo São Paulo, em 2005), Danilo tem em mente o que poderá fazer assim que pendurar as chuteiras. Com mais tempo livre, vai se entregar de vez ao sonho de infância.
 
– É uma paixão muito grande. Existe o Clube do Opala, mas não tenho como ir aos encontros por causa dos jogos. Mas, depois que parar, vai ser meu hobby.